A pandemia do novo coronavírus mudou a rotina do mundo inteiro e nos colocou em isolamento social para ajudar a conter a disseminação da doença. Entre o home office e cuidar da casa, as pessoas estão mais ansiosas e com tempo livre, buscando novas ocupações para ajudar a encarar nossa realidade temporária, como novos livros para ler durante a quarentena.

Muitos também sofrem da infodemia, sensação de aflição e pânico que se instala na população devido a quantidade de informações na mídia. Com tantas mudanças e notícias para acompanhar, separar um momento do dia para se desconectar completamente e pôr a leitura em dia é uma ótima opção para incluir na rotina.

O livro é uma das viagens mais seguras que a gente pode fazer. Entre ficções científicas, contos, romances históricos e literatura nacional e estrangeira, você encontra várias opções de leitura que irão ser sua companhia durante seus dias em casa. Confira nossas indicações – e lembre-se de lavar as mãos! 

Lista de melhores livros para a quarentena 

Para quem quer aproveitar o momento atual para ler mais, mas precisa de dicas de títulos para começar, selecionamos 9 livros que são aclamados pelo público e pela crítica em todo o mundo.

Sapiens: Uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari 

O que fez com que o Homo sapiens prevalecesse sobre as demais espécies? O que nos torna capazes de produzir as mais belas obras de arte, dos avanços científicos mais inovadores e das mais horripilantes guerras? A resposta: nossa capacidade imaginativa

Somos a única espécie que acredita em coisas que não existem na natureza, como Estados, dinheiro e direitos humanos. Foi partindo dessa ideia que Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford, aborda em Sapiens a história da humanidade sob uma perspectiva inovadora. Em sua obra ele explica que o capitalismo é a mais bem-sucedida religião, que o imperialismo é o sistema político mais lucrativo, que nós, humanos modernos, embora sejamos muito mais poderosos que nossos ancestrais, provavelmente não somos mais felizes. 

Sapien é um relato eletrizante sobre a história da humanidade e pode fazer você refletir sobre temas relevantes, ainda mais agora que a pandemia forçou os seres humanos a se reinventarem mais uma vez.

O Sol é para todos, Harper Lee

Esse é um livro emblemático sobre racismo e injustiça: conta a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. 

A atitude do advogado dá uma grande lição de moral para os filhos e para os milhares de leitores. Narrado por uma criança, o intenso clássico norte-americano cria empatia e continua conquistando gerações. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça. O sol é para todos, com seu texto “forte, melodramático, sutil, cômico” (The New Yorker) se tornou um clássico para todas as idades e gerações. 

A obra, que já foi traduzida para mais de 40 idiomas, é aclamada pela crítica e até hoje é utilizada em escolas nos Estados Unidos. Em 1961, O sol é para todos conquistou o Prêmio Pulitzer de Literatura. Já em 1963, a história ganhou adaptação no cinema e conquistou três categorias no Oscar: melhor ator, melhor roteiro adaptado e melhor direção de arte.

Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez

O clássico de Gabriel García Márquez é capaz de gerar vínculos com a nossa vida cotidiana – mesmo em momentos extremos como o atual. Cem Anos de Solidão se passa em uma única cidade: a fictícia Macondo, fundada pela família Buendía. Através das gerações, somos apresentados à diversos personagens e, juntamente com eles, conhecemos a história da América Latina através do microcosmos dessa cidadela.

A história é construída a partir do realismo fantástico, corrente literária que mescla realidade com elementos mágicos e que é particular à literatura latino-americana.

Márquez, vencedor do Nobel de Literatura em 1982, constrói uma complexa árvore genealógica de personagens: são sete gerações da família Buendía e uma porção de nomes repetidos. Não por acaso, é claro: a repetição de nomes e de características conforme as gerações avançam dão a impressão de uma narrativa cíclica. Cada membro da família tem o seu destino traçado com base na sua origem – condição que representa os problemas da América Latina que o autor quis retratar.

Cem Anos de Solidão foi lançado originalmente em 1967 e é considerado uma das principais obras literárias da história, e está ganhando a sua primeira adaptação cinematográfica pela Netflix – com previsão de lançamento em 2021.

Essa gente, Chico Buarque

Romance lançado em 2019 por Chico Buarque, editado pela Companhia das Letras, “Essa Gente” conta a história de Manuel Duarte, autor de best-seller dos anos 1990, que vive uma crise financeira e afetiva (assim como o momento atual da sociedade). Com formato de diário, ele tem como pano de fundo um Rio de Janeiro em crise.

O livro possui nuances inteligentes. É um delicado (e até mesmo cômico) relato que reflete sobre o Brasil rachado ao meio — o fosso social, os vãos ideológicos, tudo aquilo que nos trouxe até aqui.

Comunicações em tempos de crise – economia e política, de Helena Martins 

Em sua obra, Helena Martins analisa a uniformização de ideias e opiniões com base na concentração midiática, nos meios tradicionais e também na internet, através do poder de grupos que impõem suas visões de mundo. A autora demonstra que há um forte controle midiático do debate de ideias e uma urgente necessidade de se avançar na democratização das comunicações com o objetivo de construir uma diversidade ideológica e conquistar uma sociedade mais justa.

Neste momento que estamos todos em casa, fazendo ainda mais uso das mídias e da Internet, é interessante entrar em contato com uma obra que desnaturaliza a concepção de neutralidade da tecnologia e aponta os setores sociais que estão no controle da comunicação nacional e internacional: as frações da burguesia, organizadas em grupos econômicos e políticos.

Uma obra atual para entender as alternativas para a democratização do sistema de radiodifusão, de telecomunicações, das novas plataformas de conexão de informações das diferentes mídias, contra o atual modelo de concentração econômica e política da informação. Voltada para todos que desejam construir alternativas para uma comunicação democrática, e garantir o livre debate de ideias de interesse da sociedade brasileira.

As cidades invisíveis, de Ítalo Calvino

O famoso viajante Marco Polo descreve para Kublai Khan as incontáveis cidades do imenso império do conquistador mongol. Neste livro surpreendente, a cidade deixa de ser um apenas um conceito geográfico para se tornar um símbolo complexo e vivo da experiência humana.

As descrições são de lugares imaginários, sempre com nomes de mulheres: Pentesileia, Cecília, Leônia. Os relatos curtos, capazes de te fazer viajar, são agrupados por blocos: as cidades e a memória, as cidades delgadas, as cidades e as trocas, as cidades e os mortos, as cidades e o céu.

Em “As Cidades Invisíveis” (1972), Italo Calvino imagina um diálogo fantástico entre “o maior viajante de todos os tempos” e o famoso imperador dos tártaros. Melancólico por não poder ver com os próprios olhos toda a extensão dos seus domínios, Kublai Khan faz de Marco Polo o seu telescópio, o instrumento que irá franquear-lhe as maravilhas de seu império.

Boa opção de leitura para quem também está se sentindo melancólico, com desejo de conhecer lugares inspiradores.

Terra Sonâmbula, de Mia Couto

O primeiro romance de Mia Couto, Terra Sonâmbula é uma aula sobre a arte de contar histórias. No Moçambique pós-independência, que sofre com uma devastadora guerra civil, um velho e um menino fazem uma viagem recheada de fantasias.

O objetivo central é revelar os horrores e desgraças que envolveram a guerra no país. Os conflitos, o cotidiano, os sonhos, a esperança e a luta pela sobrevivência são os pontos mais relevantes do enredo.

Terra Sonâmbula é escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas (como uma guerra ou uma pandemia), é um elemento indispensável para se continuar vivendo.

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

Já imaginou uma sociedade onde todos estão cegos? 

Repentinamente, no meio de um dia, um homem fica cego. Pessoas correm para socorrê-lo, e também ficam cegas. A cegueira se alastra rapidamente, como um vírus, e a epidemia começa. O governo toma medidas e as pessoas infectadas são colocadas em quarentena, mas não há resultados positivos e a cegueira continua se espalhando até que praticamente toda a população fica sem enxergar. Soa muito familiar, talvez?! 

Na história, uma única mulher fica imune à cegueira e se torna testemunha do desenrolar desse caos, mas qual é o peso de ser a única pessoa capaz de ver?

Nesse premiado romance, José Saramago explora a essência do homem e leva a sociedade fictícia à beira da barbárie. O autor foi consagrado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, e Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema em 2008 sob a direção do brasileiro Fernando Meirelles.

O Alienista, Machado de Assis

Clássico da literatura brasileira, este texto de Machado de Assis é uma leitura de ficção prazerosa. Na obra, o médico Simão Bacamarte passa a se interessar pela psiquiatria, iniciando um estudo sobre a loucura em Itaguaí, onde funda a Casa Verde — um típico hospício oitocentista —, conseguindo cobaias humanas para seus experimentos. O que se segue é uma história surpreendente e atual em seu debate sobre desvios e normalidade, loucura e razão.

Obstinado e fatalmente fiel à ciência, o médico não permite que nada – nem a população, nem o Estado, nem o senso comum – impeça sua investigação sobre a razão humana.

Publicada pela primeira vez em 1882, esta novela curta e sagaz foi uma das obras mais impactantes de Machado de Assis, um marco de sua voz questionadora e irônica e de sua visão tão certeira sobre questões inerentemente humanas.

Boa leitura!

Ler é capaz de nos transportar para novas realidades, nos fazer refletir e também nos entreter. Estimular a leitura durante a quarentena pode trazer um novo hábito saudável para a sua rotina. 

Escolha o seu livro preferido e aventure-se por novas histórias.